É urgente que continuemos a vacinar as nossas crianças


02 Jun

Paralela à pandemia atual, vivemos uma realidade preocupante: a quebra das taxas de vacinação entre os mais novos. Um artigo do médico António Brito Avô, especialista em Pediatria. 

Mesmo depois dos apelos da DGS e do levantamento do estado de emergência, o Programa Nacional de Vacinação e as vacinas extra-Plano não estão a ser cumpridos. Um risco individual que pode afetar a comunidade – as quebras e os atrasos na vacinação facilitam o aparecimento de doenças graves como o sarampo, a meningite ou a tuberculose e podem dar origem a surtos.

As pessoas têm medo. Essa é a principal razão para que pais e encarregados de educação estejam a adiar consultas e deslocações aos hospitais e centros de saúde. Um receio natural, mas infundado, e que deve ser esclarecido o mais rapidamente possível.

É imperativo sensibilizar a população. Informá-la. Assegurar que o regresso a rotinas como a vacinação dos mais novos se processe rapidamente, de forma segura e informada. É fundamental que, por um lado, a população compreenda os riscos desta quebra na vacinação e que por outro se sinta segura na deslocação para vacinar as suas crianças.

Se ainda não existe uma vacina contra o coronavírus, apostemos na proteção dos sistemas imunitários dos mais novos contra o que já é possível prevenir. É o caso de doenças como o sarampo ou a meningite que, apesar de graves, podem ser evitadas por imunização.

É cada vez mais importante investir na prevenção, seja através do PNV ou de vacinas recomendadas pelos médicos assistentes.  A vacinação previne doenças como o sarampo, a tosse convulsa, o tétano ou a meningite.  Ainda durante o estado de emergência, a Direção-geral da Saúde reforçou que, até aos 12 meses de idade, inclusive, as crianças devem cumprir atempadamente e com rigor a vacinação recomendada, que confere proteção precoce contra onze doenças potencialmente graves. Aos 12 meses, as vacinas contra o meningococo C e contra o sarampo, papeira e rubéola são consideradas extremamente importantes.

Não podemos esquecer que situações epidemiológicas como a do sarampo, por exemplo, não nos permitem adiar esta vacina, porque podemos pôr em causa a imunidade de grupo que ela confere e permitir o aparecimento de surtos. A vacina contra a tuberculose (a BCG) continua a estar no PNV para as áreas de risco social e endémico (áreas podem vir a aumentar com a CoVid 19).

Outro caso preocupante, é o da meningite, uma infeção grave, e potencialmente fatal. Qualquer pessoa a pode contrair, mas as crianças pequenas e os adolescentes correm maior risco. Apesar de ser uma doença rara, temos assistido ao crescimento de casos do grupo B um pouco por toda a Europa. Portugal não é exceção. Devemos também estar atentos ao crescimento discreto, mas rápido, do grupo W.

No Dia Mundial da Criança, deixo um pedido aos pais e encarregados de educação “Não adiem consultas nem deslocações aos hospitais e aos centros de saúde. Vacinem-se e vacinem as vossas crianças respeitando as indicações dos pediatras. As deslocações são seguras - o que não é seguro é adiar a vacinação”.

Um artigo do médico António Brito Avô, especialista em Pediatria.