A quarentena deixou a sua pele mais seca e irritada?


15 Jun

- Luz do computador, stress, ambientes fechados e ausência de sol estão entre as principais causas das alterações na pele

- Episódios de eczema ou psoríase, acne, vermelhidão e manchas são também problemas comuns 

Os portugueses já estão a desconfinar, a voltar às rotinas e à vida social e, com isso, a procurar também cuidar mais de si, já que, nos meses de confinamento, os cuidados com a pele foram deixados para trás. Agora, depois de alguns meses em quarentena, é normal que a pele esteja diferente, mais seca, com borbulhas, manchas, vermelhidão e até irritações. Mas como pôde isso acontecer se a pele esteve menos exposta a elementos exteriores?

Apesar de poder pensar-se que o isolamento pudesse funcionar como uma “desintoxicação da pele”, já que a exposição à poluição e ao sol foram menores e o uso de maquilhagem foi inferior, na verdade não o foi, com a nova realidade a trazer fatores igualmente negativos. O cirurgião João Martins, especialista em cirurgia estética, deixa as principais alterações e cuidados a ter:

Secura |
Dentro de casa, o ar é mais seco do que no exterior e a situação é ainda agravada com o ar condicionado, deixando a pele ainda mais seca. O facto de, na pandemia, lavarmos as mãos e o rosto com maior frequência também pode causar secura e escamação, rompendo a barreira da pele. Para a hidratar, é recomendado beber muita água, quente ou fria, simples ou aromatizada, evitar banhos demasiado quentes e utilizar um creme com ácido hialurónico e/ou ceramidas.

Pele baça | A desidratação diminui a renovação celular, acumulando células mortas na superfície da pele, deixando-a com menos brilho. É fundamental manter a rotina de limpeza para remover resíduos de suor e toxinas, fazendo uma máscara esfoliante uma a duas vezes por semana. Para promover a regeneração, recomenda-se suplementação com niacinamida (vitamina B3), oral ou em creme, e boas rotinas de sono, pois é durante a noite que ocorre a eliminação de células mortas e a síntese de novo colagénio.

Menos homogeneidade | Em casa, recorremos mais aos écrans, por razões lúdicas ou de trabalho. A luz azul dos écrans, tal como a luz solar, gera radicais livres e a exposição excessiva pode afetar a pele, provocando inflamação e sensibilidade, deixando-a menos homogénea. Mesmo em casa, é importante continuar a aplicar protetor solar e utilizar estes aparelhos no “night mode” ou com o “filtro de luz azul”.

Acne, borbulhas e outras irritações | 
Teletrabalho, medo da crise económica, preocupação em acompanhar os filhos e receio de apanhar a doença elevam os níveis de stress, resultando numa alteração do perfil hormonal e aumentando os níveis de cortisol, hormona que agrava a inflamação da pele (levando a eczema, psoríase e acne). Aumenta também o stress oxidativo na pele, tornando-a mais oleosa. É essencial tentar manter rotinas, fazer atividades de relaxamento (meditação e yoga) e exfoliar a pele. Um creme com retinol, à noite, e ácido glicólico também podem ajudar no controlo da oleosidade.

Apesar de podermos, mais tarde, minimizar estes estragos com alguns tratamentos, é importante reagir assim que começam a notar-se alterações, para evitar males maiores e, sobretudo, prevenir. As idas à rua, com o devido distanciamento social, são recomendadas, já que permitem aumentar os níveis de vitamina D através da exposição solar, tão importante para a firmeza e reparação da pele. A par disso, é fundamental manter uma alimentação equilibrada, descanso e atividade física.