Ansiedade de separação: Ajude-se e ajude o seu filho a ter coragem


15 Sep

Que pai não estará familiarizado a filhos que choram e soluçam inconsolavelmente, que se negam a entrar na escola ou sair de casa, que se agarram às suas pernas e pescoços como se disso dependesse a vida deles?

Ó, culpa tão intensa em nós que nos sentimos impotentes, exaustos, incapazes de conseguir lidar com esta ansiedade de separação! Sim, é que este comportamento tem um nome. Não é manha, não é mimo a mais ou coisa de crianças mal comportadas com pais permissivos. E é na verdade muito comum e próprio das idades mais tenras da infância.

De onde nos vem esta ansiedade?

Na verdade a ansiedade tem sido muito útil no contexto evolutivo da nossa espécie, inclusive no caso das crianças. Na era primitiva esta ansiedade mantinha as crianças junto daqueles que as protegiam dos perigos que circundavam e ainda hoje esta programação se mantém nos nossos genes. Os cérebros das crianças estão naturalmente programados para temer a distância dos seus pais, assim como os cérebros dos pais também estão programados para ficar ansiosos quando as suas crias não estão por perto, quando estão fora do ‘ninho’ e longe das suas asas, sob a supervisão de outra pessoa. O objetivo é reconhecer quando não há perigos reais e saber quando abandonar a ansiedade, não eliminá-la.

É por isso muito comum que em momentos de mudanças ou novos inícios se conjuguem os estados de ansiedade de pais e filhos, o que faz com que tenhamos dificuldade em encontrar as palavras certas e a atitude mais sensata para aliviar os medos e stress nas nossas crianças. Existem no entanto algumas abordagens que são mais úteis do que outras e coisas que podemos fazer e outras que devemos evitar para lidar com estes níveis normais de ansiedade de separação*.

Dicas para amenizar a ansiedade de separação

Antecipe e crie rotinas

Antecipe. Fale sobre o que vai acontecer antecipadamente. É o regresso às aulas que está a preocupá-los? Então falem sobre o tema, faça perguntas, comprem os materiais. Planeiem o regresso criando uma rotina para que a criança se sinta confiante e mais segura percebendo com o que conta e o que poderá fazer em função dos cenários que encontrará.

Mas não antecipe medos ou preocupações se o seu filho não dá sequer sinais deles. Perguntar “Estás nervoso com o teu primeiro dia?”, para quem não estava nem aí pode instigar uma emoção que não existia em função da pergunta “Será que deveria?”.

Se houver oportunidade ajude a criança a familiarizar-se com o trajecto, as próprias instalações da escola, professores e operacionais que lá trabalham. Isso ajudará a dar-lhe conforto para o momento em que já não estiver. Contudo, sempre que poder dê-lhe espaço para que possa explorar e sentir-se confiante para pequenos passos de independência, dos quais o poderá sempre lembrar mais tarde.

Não prologue o momento

Criem uma rotina de despedida e cumpra-a. Podem falar sobre esse momento com antecedência e combinar uma despedida só dos dois. No momento faça como combinado e não se prolongue ou eles perceberão também a sua relutância em deixá-los e vão saber usar isso para se manterem mais um pouco consigo. É natural que surja algum queixume, talvez alguma lágrima, e sim, também sentiremos o aperto no peito, mas aja com firmeza e gentileza nesse momento.

Amuletos de amor

Utilize um objeto de transição ou algum amuleto que tenha especial significado para os dois para amenizar a ansiedade de separação. Aqui em casa eu uso duas pulseiras, cada uma delas está associada a uma das minhas filhas, e raramente as tiro do pulso. Raramente porque há momentos em que estas pulseiras saem do meu pulso para irem para o pulso delas. Sempre que alguma das minhas filhas precisa de um aconchego extra, sentir-se mais confiante ou segura, como num primeiro dia de aulas ou dia de prova, eu pergunto se querem ficar com a minha pulseira e assim, mesmo quando não estou por perto, olhando para aquela pulseira podem sempre lembrar-se do quanto as amo e que as apoio mesmo à distância.

Gira as emoções, as suas e as das crianças

Dê o seu melhor para gerir a sua própria ansiedade e se manter calmo na separação. Não se trata de esconder emoções mas não ajudará nada que o seu filho o veja tenso, preocupado, stressado, ansioso. As crianças são verdadeiras esponjas emocionais. Precisamos de as ajudar a sentirem-se seguras. Por isso, como adultos, é nosso dever aprendermos a gerir as nossas próprias emoções, para lidarmos com estes momentos com mais serenidade e confiança.

Privilegie a confiança

E por falar em confiança, nunca saia às escondidas ou os distraia para sair sem que percebam. É muito tentador e há inclusive auxiliares, educadores e professores que o sugerem, mas a bem do vínculo que tem com o seu filho não o faça. Seja coerente, ajude-o a ser corajoso. Se sair às escondidas só vai intensificar a sensação de insegurança e medo.

Valide as emoções das crianças

Explique que é natural sentir medo ou insegurança e de seguida tranquilize o seu filho reforçando que ficarão bem, que tem confiança nas pessoas que ficam com ele e que mais tarde voltará para o vir buscar. “Eu entendo que estejas preocupado e é natural que te sintas assim. Agora vou sair e prometo que estarei aqui quando as aulas acabarem.”

Não ofereça recompensas ou ameace com consequências

“Se ficares aqui, quando voltar vamos comer um bolo.” “Se não fores para dentro não vês televisão quando chegares a casa.” Não se lida com as emoções procurando manipular o comportamento. O que o seu filho precisa é apoio emocional, ao invés de aprender a camuflar emoções ou reprimi-las para ganhar algo ou não perder alguma coisa de que gosta.

Ajude-os a acalmarem-se para que eles possam aceder ao lado racional do cérebro

“Vamos respirar juntos. Eu sei que estás com medo agora. Isso é normal. O teu cérebro está a dizer-te para teres medo. Lembras-te que falámos sobre isso? Vamos dar uma olhadela juntos. Vês alguma coisa que devas temer? Alguma coisa parece perigosa? Eu vejo a tua educadora/professora e sabemos que ela é simpática porque já a conhecemos. Também há crianças da tua idade e algumas delas estão a brincar. Talvez queiras brincar com elas. Vamos respirar fundo e assim que te sentires pronto fazemos a nossa despedida secreta e à tarde vou cá estar para irmos para casa.”

Fonte: emocoesaflordamente.pt