Cães diminuem risco de esquizofrenia


05 Jan

Um estudo recente da Universidade de medicina Johns Hopkins sugere que estar em contacto com o "melhor amigo do homem" desde tenra idade pode trazer benefícios à saúde - nomeadamente, a diminuição do risco do desenvolvimento de esquizofrenia na idade adulta.

"Distúrbios psiquiátricos graves têm sido associados a alterações no sistema imunitário ligadas a exposições ambientais no início de vida. Como os animais domésticos são frequentemente as primeiras coisas com as quais as crianças têm contacto próximo, era lógico explorar as possibilidades de uma ligação entre os dois ", afirma Robert Yolken, professor na referida universidade e principal autor do estudo.

Neste estudo, a equipa de investigadores analisou a relação entre a exposição a um gato ou cão durante os primeiros 12 anos de vida e um diagnóstico posterior de esquizofrenia ou transtorno bipolar. Para surpresa dos investigadores concluiu-se que, no caso da esquizofrenia, existia uma diminuição estatisticamente significativa no risco de uma pessoa desenvolver o distúrbio se exposta a um cão no início de vida. Nas faixas etárias estudadas, não se encontrou uma ligação relevante entre cães e transtorno bipolar ou entre gatos e distúrbios psiquiátricos.

Estudos anteriores já tinham revelado que a exposição precoce a animais de estimação podiam alterar o sistema imunitário de várias formas, onde se incluem respostas alérgicas e mudanças no microbioma da casa. Alguns investigadores, observa Robert Yolken, suspeitam que esta "modulação imunitária" possa alterar o risco de desenvolver distúrbios psiquiátricos, aos quais uma pessoa esteja geneticamente predisposta ou não.

Nesta investigação, a equipa de Yolken estudou um universo de 1.371 homens e mulheres entre os 18 e 65 anos, dos quais 396 pessoas eram esquizofrénicas, 381 bipolares e 594 não tinham qualquer distúrbio psiquiátrico. Todos os participantes foram questionados sobre a existência de um animal de estimação nos primeiros 12 anos de vida.

Surpreendentemente, afirma Yolken, "os resultados sugerem que as pessoas que são expostas a um cão antes do 13º aniversário têm uma probabilidade significativamente menor - em até 24% - de serem diagnosticadas com esquizofrenia mais tarde".

Yolken acrescenta que "um aparente maior efeito protector foi encontrado em crianças que tiveram contacto com um cão no nascimento ou foram expostas pela primeira vez antes dos 3 anos".

"Existem várias explicações plausíveis para este possível efeito 'protector' do contacto com os cães - talvez algo no microbioma canino que é passado aos seres humanos e reforça o sistema imunitário contra ou subjugue uma predisposição genética à esquizofrenia", afirma o responsável do estudo.

Para o transtorno bipolar, os resultados do estudo sugerem que não há associação de risco, positiva ou negativa, com o facto de estar perto de cães em criança. No geral, para todas as idades examinadas, a exposição precoce a gatos foi neutra, pois o estudo não conseguiu vincular felinos a um aumento ou diminuição do risco de desenvolver esquizofrenia ou transtorno bipolar.

Robert Yolken conclui que "uma melhor compreensão dos mecanismos subjacentes às associações entre a exposição a animais de estimação e distúrbios psiquiátricos pode permitir-nos desenvolver estratégias adequadas de prevenção e tratamento".