Como evitar que as crianças toquem permanentemente no rosto?


19 Sep

Estratégias simples para diminuir um comportamento tão normal como comum e que podem ser uma ajuda na luta contra o vírus.

Ouvimos os especialistas dizer que lavar as mãos e evitar tocar no rosto é meio caminho andado para acabar com a disseminação do Covid-19. Mas não é fácil manter as mãos dos nossos pequeninos ocupadas, proibir que tirem “catotas"/"macacos” do nariz, muito menos explicar-lhes isto. Assim, sugerimos algumas estratégias que podem ser uma ajuda na luta contra o vírus, ajudando-os a diminuir um comportamento tão normal e comum como seja o levar as mãos à cara.

1. Utilize o reforço positivo

As crianças respondem melhor ao reforço positivo do que a críticas ou correções. Elogie a criança sempre que ela não está com as mãos no rosto, ao invés de a impedir a fazê-lo. Crie pequenos incentivos para a recompensar sempre que não toca no rosto, sejam eles autocolantes, doces saudáveis ou pequenos brinquedinhos. Através das suas afirmações a criança irá perceber o que não deve fazer, por exemplo “Muito bem! Estás com as mãozinhas no sítio certo!”, ou “Fico muito contente por não estares a tocar na tua carinha!”.

2. Lenços de papel sempre à mão!

Coloque lenços de papel espalhados pela casa e incentive o seu pequenino a utilizá-los sempre que quiser limpar o nariz ou tocar na cara. Ensine-lhe que, depois de utilizar um lenço, deve colocá-lo sempre no caixote do lixo. E ensine-lhe também a lavar as mãozinhas após assoar o nariz.

3. Ajude o seu filho a tornar-se mais consciente

Embora o reforço positivo seja essencial neste tipo de comportamento, se ajudar o seu filho a tornar-se mais consciente dos seus atos, possivelmente a frequência com que toca no rosto irá também diminuir. Para isso basta sinalizar sempre que vir o pequenino com a mão no rosto. Atenção: sinalizar não é ralhar, nem proibir! Simplesmente dizer “Filho, estás com as mãozinhas na cara...” ou criar uma palavra código que ambos percebam o seu significado, como por exemplo “pêssego”, vai ver que ele vai adorar. Estará apenas a trabalhar a consciência corporal e a atenção plena da criança. Também é importante falar com o seu filho sobre o objetivo de reduzir este hábito e explicar-lhe que a mamã e o papá também o tentam fazer e de que forma o fazem.

4. Cortes de cabelo curtos ou cabelos apanhados

Ninguém gosta de ter o cabelo à frente dos olhos! Quando a criança está a brincar e um cabelo lhe foge para os olhos ou para a boca, fazendo-lhe cócegas na cara, é normal que esta o tente voltar a prender. Para isso é inevitável que toque com as mãos no rosto. Por isso privilegie cortes curtos ou cabelos apanhados, para que este não seja um incómodo nem um motivo de contaminação 

5. Mantenha as suas mãozinhas ocupadas

Se a criança tiver as mãos livres, mais facilmente tocará no próprio rosto. Por isso, dê-lhe coisas para mexer, tocar e/ou segurar, de forma mais ou menos constante. Ofereça-lhe brinquedos, como cubos mágicos ou fidget spinners, que mantenham as suas mãos ocupadas. Quando inibimos um comportamento, ou seja, quando pedimos à criança que não faça algo, estamos a requerer que o córtex pré-frontal seja totalmente funcional, o que não acontece antes dos 25 anos.

6. Explique-lhe o vírus

Se o seu filho tem pelo menos 3 anos, explique-lhe o que é o Covid-19, como se espalha se tocarmos no rosto e o que podemos fazer para prevenir a sua transmissão. Existem muitas formas de educar as crianças para o vírus através de jogos e atividades divertidas. Acredite que, se o seu filho tiver uma melhor conceptualização do vírus, se o procurar envolver neste processo, irá ser mais motivante para ele alcançar o objetivo, ou seja, não tocar na cara!

7. Lavem bem as mãos! 

É importante não esquecer que, por muito que expliquemos o vírus à criança e que façamos tudo para que não coloque as mãos no rosto, será impossível controlar por completo este tipo de comportamento. Por isso, é importante atuar na prevenção, lavando as mãos com regularidade. Ensine o seu pequenino a lavar as mãos corretamente, o que implica cantar a canção dos parabéns até ao fim, e a desinfetá-las, permanecendo a ideia de que este hábito se deve prolongar para além da pandemia!

Veja as nossas recomendações acerca do regresso à escola em tempo de pandemia no nosso Workshop.

Autoria: Clementina Almeida | ForBabiesBrain

Fonte: publico.pt