Como trabalhar a ansiedade nas crianças


09 Aug

As crianças também têm ansiedade sim…. Infelizmente quase todas, quando se explica como é que o corpo fica e se sente na presença da ansiedade, identificam como algo conhecido.

Para algumas é apenas uma sensação que muito de vez em quando sentiram em si próprias, para outras é algo recorrente e que tem tendência para crescer!

Na base, a ansiedade é um impulso, uma resposta do corpo a determinados estímulos ambientais que provocam uma série de reações cognitivas, sensório-perceptivas e neurovegetativas, relativas ao Medo, principal emoção envolvida nas experiências de ansiedade. Neste sentido, a ansiedade tem que existir e é em muitos casos positiva. É interessante que por vezes até as crianças perguntam se eu estou a falar sobre a ansiedade positiva, ou sobre a negativa…

A que nos preocupa claro está, é a negativa! É aquela que inibe a qualidade de vida das crianças e dos jovens, que não lhes permite manter relações sociais e interpessoais saudáveis e nutritivas e que lhes bloqueia o seu desenvolvimento. Na maioria das vezes as crianças e mesmo os jovens, não têm consciência de qual a origem da ansiedade, qual é o medo que está na base dessa emoção.

O medo tem 3 reações possíveis, ou incita à fuga, à luta ou paralisa. Sempre que a ansiedade interfere com a nossa qualidade de vida é porque não estamos a ser capazes de reagir aquele medo e ficamos paralisados ou em fuga da situação, da emoção ou mesmo de nós próprios…

O medo tem algumas regras, regras que geralmente explico às crianças como se fosse o grilo falante do Pinóquio, ou o diabinho da nossa mente que está sempre a colocar ideias terríveis nas suas cabeças e que muitas vezes os convence mesmo, por exemplo, que se se afastarem da mãe por uns minutos, vão ficar em perigo. É preciso contrariar, enfrentar esse diabinho e convencer a nossa própria mente de que tudo aquilo que a nossa cabeça está a imaginar não passa de uma fantasia, uma péssima fantasia e que nós somos capazes de lhe fazer frente.

Nessa tarefa de fazer frente ao medo, precisamos de ser cautelosos, para não correr o risco de retraumatizar e o aumentar ainda mais, mas não podemos desistir, ainda que vamos em passinhos de bebé. Então este primeiro passo é tomar consciência do medo que está por trás e decidir enfrentá-lo… Logo de seguida o corpo precisa aprender a relaxar e para relaxar precisa saber respirar.

Ensinar as crianças a respirar pode ser uma atividade até bastante divertida. Costumo usar bolinhas de sabão, fazer furacões em caixas com bolinhas de esferovite, guerra de sopros, enfim o que quer que a nossa criatividade alcance e que nos faça inspirar fundo e expirar durante mais tempo do que o que levamos a inspirar. Assim, e como ansiedade também é sinónimo de ar a mais dentro do corpo, conseguimos um passo fundamental, que é mover o ar a mais que está concentrado no peito e que juntamente com o bloqueio do diafragma, não permite que o ar percorra o corpo todo. Fica apenas na parte superior do corpo e dá-nos uma falsa sensação de falta de ar, quando na realidade, o que temos é ar a mais.

Com estes 3 passos conquistados: enfrentar o medo, relaxar e respirar, temos campo aberto para trabalhar com a criança e atingir resultados incríveis num curto espaço de tempo.

Podemos desenhar o medo, construir o medo, destruir o medo…. Tudo é possível!

Com trabalhos projetivos, com brincadeira, com construções, com exercícios de hipnose específicos para controlo da ansiedade em crianças, vamos pouco a pouco destruindo esse dragão barbudo e devolvendo à criança a alegria, a vitalidade e o gosto pela vida, que a “ansiedade má” e em excesso, vai pouco a pouco retirando.

Vamos entrando nesse maravilhoso mundo do inconsciente da criança e quase como exploradores, vamos abrindo e traduzindo por palavras aquilo que antes não tinha nome e era assustador! abrimos a porta para o mundo das suas emoções o que as ajuda não só a compreenderem-se como a fazerem a ponte entre o interno e o externo, entre o importante e o não importante, entre o medo válido que me protege e o medo em vão que me retira qualidade de vida….

É nessa dança que vamos trabalhando e é nesse compasso que as crianças se vão tornando mais fortes para enfrentar a vida.

Ana Galhardo Simões

Psicoterapeuta Corporal

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