Gritam, protegem demasiado os filhos e vivem em função deles. Psicóloga aponta os 8 maiores erros dos pais


24 Jul

Queremos sempre fazer o melhor pelos nossos filhos, mas todos erramos. Bárbara Ramos Dias, psicóloga clínica, identifica oito dos maiores erros dos educadores, mas dá-lhe alternativas para fazer melhor da próxima vez.

Ser pai não é fácil. São as noites sem dormir, as birras, os picos de crescimento, as cólicas. Depois é a luta para os miúdos largarem a chucha, as fraldas, aprenderem a dormir sozinhos. E se pensa que há uma luz ao fundo do túnel depois de todas estas fases nos primeiros anos, desengane-se: a preocupação com os filhos nunca desaparece, bem como a dúvida sobre a educação que lhes estamos a dar.

Será que estamos a fazer tudo certo? Que estamos a criar seres humanos de valor? Ou daqui a 15 anos o nosso bebé fofinho vai ser o bully da turma e vamos dar voltas à cabeça para perceber onde falhámos? Educar é complicado, e mesmo para os pais mais cheios de boas intenções, que procuram informação e ajuda, há erros comuns que todos cometem.

Com a ajuda de Bárbara Ramos Dias, psicóloga clínica, mãe de três crianças e autora do livro "Respostas Simples às Perguntas Difíceis dos Nossos Filhos", identificámos os oito principais erros que os pais cometem. Mas calma: há alternativas melhores, que podem funcionar de forma positiva com os seus filhos.

1. Superproteção

Proteger os nosso filhos é um gesto tão natural como respirar e uma das principais prioridades dos pais. Mas quando é em demasia, a chamada superproteção, isso pode ser um erro e causar mais danos do que benefícios. "Se estamos sempre a proteger os miúdos, eles ficam com uma baixa auto-estima. É como a questão de aprender a andar de bicicleta, por exemplo, precisam de cair, para se se saberem levantar. Aprender a lidar com a frustração faz com que as crianças cresçam mais fortes", salienta Bárbara Ramos Dias.

2. Gritar

Apesar de todos os manuais de parentalidade positiva que já leu, dos especialistas que afirmam que não é uma boa atitude e da cara de desespero que vê nos seus filhos quando grita com eles, que atire a primeira pedra quem nunca levantou a voz aos miúdos. No entanto, a psicóloga clínica mantém que gritar é contraproducente. "Sei que é difícil, mas as crianças ouvem e respondem melhor a frases curtas, num tom baixo e assertivo, do que a grandes sermões com gritaria."

3. Não tirar tempo para si

Viver apenas em função dos nossos filhos não vai fazer de si uma mãe ou pai perfeito, muito pelo contrário. "Enquanto pais, temos de nos lembrar que, quanto melhor nós estivermos, melhores os nossos filhos vão estar. É muito benéfico tirar tempo para si, nem que sejam apenas 15 minutos por dia", diz a especialista. Aproveite para correr no bairro, tomar um banho de imersão, dar um passeio no paredão, ler, meditar, o que for preciso para recuperar energias.

4. Elogiar demasiado o aspeto físico

Bárbara Ramos Dias alerta que os melhores elogios são os mais sinceros, e devem ser relacionados com o comportamento e com atitudes, e não com a beleza exterior. "Elogiar os miúdos porque emprestaram os brinquedos aos irmãos, porque fizeram a cama e os trabalhos de casa, porque são crianças carinhosas é a melhor estratégia", diz a psicóloga. "Não se deve elogiar apenas porque sim, é preciso justificar o elogio para que as crianças o sintam como verdadeiro. Caso contrário, vão crescer a acreditar que o importante é ser bonito, o que pode criar angústia no futuro e resultar numa adolescência com baixa auto-estima."

5. Esperar que sejam perfeitos

Assim como não há pais perfeitos, também não existem crianças e filhos perfeitos. "Os nossos filhos não são robôs, nem foram criados na imaginação dos adultos. Os pais devem aceitar os miúdos tal como eles são, com os seus talentos e desafios", refere Bárbara Ramos Dias.

6. Ajudá-los em tudo

Tal como a proteção, os pais têm muita tendência para auxiliar os miúdos em tudo e mais alguma coisa, e mesmo nas tarefas que são da responsabilidade dos mais novos. A psicóloga clínica alerta que os pais devem "ajudar a orientar e planear coisas como trabalhos de casa ou tarefas domésticas da responsabilidade dos filhos, mas nunca fazer tudo por eles".

7. Escolher pelos filhos

Da mesma forma que os pais não devem fazer as tarefas pelos filhos, também se devem privar de escolher por eles. "As crianças têm de ter liberdade para fazer as suas escolhas, assumindo a responsabilidade pelas decisões que tomam", salienta a especialista.

8. Dizer sempre que sim

Repita isto vezes sem conta até estar bem presente na sua cabeça, e livre-se da culpa: o não faz falta às crianças. Bárbara Ramos Dias não tem dúvidas de que esta é uma atitude necessária para os mais pequenos "aprenderem a lidar com a frustração e para terem coragem para crescer".

Fonte: magg.sapo.pt