Mafalda e Mônica homenageiam Quino, "um dos maiores desenhistas de humor"


01 Oct

Homenagem foi feita pelo cartoonista brasileiro Mauricio de Sousa, criador da 'Turma da Mônica'.

A conta de Instagram da 'Turma da Mônica' prestou homenagem, esta quinta-feira ao autor argentino Quino, com um 'quadradinho' criado pelo cartoonista brasileiro Mauricio de Sousa, criador da 'Turma da Mônica'. "Para sempre, Quino. Gracias", pode ler-se na legenda de um cartoon de Mônica e Mafalda, a segurar um lenço por cima do globo terrestre, tantas vezes motivos das famosas 'tiras' de banda desenhada. 

Mauricio de Sousa também prestou a sua homenagem a Quino, "pai" de Mafalda, tendo sido publicada uma fotografia de ambos. "O amigo Quino está agora desenhando pelo universo com aqueles traços lindos e com um humor certeiro como sempre fez. Criou sua Mafalda, hoje de todos nós, no mesmo ano em que eu criei a Mônica, em 1963 - mas ela só estrearia nas tiras no ano seguinte. Por isso, nos tornamos irmãos latino-americanos para desbravar o mundo dos quadrinhos", pode ler-se, na legenda da imagem.

"Estive com ele em 2015, em Buenos Aires, no Centro Cultural Brasil-Argentina, onde o presenteei com uma Mônica ao lado da Mafalda na comemoração dos 50 anos das duas personagens. Uma pessoa dócil e um dos maiores desenhistas de humor de todos os tempos. Quino vive agora mais forte dentro de nós", acrescenta.

Quino, célebre por ter criado a contestatária personagem de banda desenhada Mafalda, morreu na quarta-feira em Mendoza, na Argentina, aos 88 anos. De acordo com o jornal argentino Clarín, Quino morreu na sequência de um acidente vascular cerebral que sofreu na semana passada. 

Filho de espanhóis, nascido em Mendoza, em 1932, Joaquín Salvador Lavado, conhecido como Quino, desenhou e publicou vários livros de desenho gráfico para um público mais adulto, nos quais predomina um humor corrosivo e negro sobre a realidade social e política.

Ficou célebre, porém, por uma personagem que se tornou numa das mais improváveis comentadoras políticas da atualidade, Mafalda, uma menina que detestava sopa, adorava os Beatles e tinha monólogos preocupados e existencialistas, em frente a um globo terrestre.

Das tiras de Quino saíam comentários sobre a ordem do mundo, a luta de classes, o capitalismo e o comunismo, mas também, de forma mais subtil, sobre a situação política e social argentina. Em 2016, numa entrevista à agência Efe, por ocasião da Feira do Livro de Buenos Aires, Quino afirmava que o mundo atual seria para a personagem Mafalda "um desastre e uma vergonha".

Profundamente tímido e reservado, Quino reconheceu na mesma entrevista que gostaria de ser recordado como "alguém que fez pensar as pessoas sobre as coisas que acontecem".