Prevenir o AVC em família: o que os netos podem ensinar aos avós


23 Jul

A face, a força, a fala e o tempo :: não estamos só a lutar contra o AVC mas a lutar para que as crianças e os seus super-avós tenham mais tempo juntos.

Estar atento aos principais sintomas e agir a tempo é fulcral para garantir o sucesso dos tratamentos no AVC e, por essa razão, é importante contactar o 112 assim que se detetam os primeiros sintomas. Afinal, em Portugal, a maioria dos doentes de AVC não recebe tratamento porque chega demasiado tarde ao hospital.  

Atualmente, o AVC continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal sendo também a principal causa de morbilidade e de potenciais anos de vida perdidos no conjunto das doenças cardiovasculares.  

Desta forma, este ano, para assinalar o Dia Mundial dos Avós temos como objetivo reforçar a importância de educar as pessoas, especialmente os mais novos, sobre os sintomas de AVC e que podem salvar uma vida chamando o 112 em vez de procurarem ajuda noutro lado.  Assim, através do projeto Fast Heroes queremos alertar que não estamos só a falar de doentes: são avós que podem ter uma influência positiva na vida das crianças e que, não estamos só a lutar contra o AVC, estamos a lutar para que as crianças e os seus super-avós tenham mais tempo juntos. 

E como? 

O projeto Fast Heroes atua na educação de jovens e seus familiares sobre quais os sintomas de AVC, associando-os ao número de emergência 112 e como devem agir em caso de estarem perante uma situação semelhante, ao mesmo tempo que promove um momento em família. O alerta é que exista um reconhecimento dos seguintes sintomas, os “3 F”:  

  • Um dos lados da FACE subitamente descai, ou  
  • Falta de FORÇA súbita num dos braços e/ou  
  • Dificuldade repentina em FALAR. 

Além disso, este projeto educa sobre o que é o trombo, caracterizando-o para uma personagem que é perigosa e silenciosa: ataca ao bloquear o fluxo de sangue para o cérebro, deixando o cérebro sem oxigénio nem nutrientes. E que, perante estas situações, o ideal será manter a calma e atuar rapidamente e contactar o 112 sob o mote “se o teu super-herói perder algum dos seus superpoderes, pensa em AVC e chama uma AMBULÂNCIA pelo 112” 

O objetivo passa também pelo reconhecimento de que, apesar de a  pandemia da COVID-19 ter apresentado grandes desafios aos hospitais e profissionais de saúde, não só para dar resposta aos infetados, mas também para criar circuitos não COVID seguros para todas as outras patologias que continuam a precisar de tratamento, existe uma via verde segura. 

Esta Via verde começa desde o telefonema para o 112, que avisa de imediato a triagem e a área de tomografia computorizada para estar tudo preparada quando um doente dá entrada no hospital.  


Leia abaixo o artigo do Prof. Castro Lopes, Médico Neurologista e Presidente da Direção da Sociedade Portuguesa do AVC

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) representa a principal causa de mortalidade e incapacidade no nosso país. Por hora, três portugueses sofrem um AVC, um dos quais não sobrevive. Dos restantes, metade ficará com sequelas incapacitantes. No mundo, de acordo com a World Stroke Organization, 1 em cada 4 pessoas terá um AVC ao longo da vida.

Apesar de constituir um enorme problema de Saúde Pública, importa lembrar que o AVC é uma doença possível de prevenir e tratável. É, aliás, a patologia neurológica mais suscetível de ser prevenida. A saber, metade dos AVC poderiam ser prevenidos controlando a pressão arterial e deixando de fumar.

Para além disso, importa transmitir à população que a Via Verde do AVC (ativada através de chamada para o 112) está organizada em Portugal para encaminhar os doentes rapidamente para os hospitais capazes de fornecer os tratamentos adequados. Mas para que o tratamento tenha sucesso o respeito pelo tempo é fundamental – tempo é cérebro – pelo que o AVC tem que ser encarado como uma situação de emergência. Basta o aparecimento de um dos chamados “3Fs”: Dificuldade em falar; Desvio da face (Boca ao lado); Falta de força num braço, para suspeitar de um AVC e ligar de imediato para o 112.

Nesse sentido, a sensibilização da população tem um papel determinante no combate a esta calamidade. É muito importante que a educação para a saúde comece desde cedo e faça parte do percurso escolar e familiar das crianças. Para além de atuarmos na prevenção do AVC, com a promoção de estilos de vida saudáveis e alertando para os fatores de risco cerebral, atuamos também no reconhecimento dos sinais de alerta do AVC, pois poderão e deverão ser estas crianças e jovens a identificá-los nos pais, avós ou outros familiares, tendo um papel ativo e determinante na ativação dos meios de emergência e, por isso, a salvar a vida dos seus.

Para instituir processos sobre a educação do AVC nas comunidades, foi lançado o projeto FAST Heroes 112 (https://pt-pt.fastheroes.com), destinado a educar crianças dos 5 aos 9 anos de idade para o tema do AVC.

Lembramos que o AVC pode acontecer a qualquer pessoa, em qualquer idade, em qualquer momento e envolve todos: sobreviventes, familiares, amigos, profissionais de saúde, locais de trabalho e comunidade em geral. Responder rapidamente aos sinais de alerta pode fazer a diferença entre a recuperação e a incapacidade.

Prof. Castro Lopes
Médico Neurologista
Presidente da Direção da Sociedade Portuguesa do AVC