Distúrbios alimentares na adolescência: conheça os sinais e os sintomas


21 Nov
21Nov

Segundo a Organização Mundial de Saúde, entende-se por distúrbio ou transtorno alimentar qualquer alteração do comportamento alimentar que pode provocar prejuízos à saúde de um indivíduo. Estas alterações podem dever-se a fatores metabólicos ou psicológicos.


Normalmente, os distúrbios alimentares manifestam-se na adolescência devido às mudanças drásticas a nível físico, social e emocional que envolvem a família e o ambiente escolar nesta faixa etária.

Aproximadamente 90% dos casos diagnosticados pertencem a mulheres jovens, contudo, o número de rapazes adolescentes que sofrem desta doença tem vindo a aumentar drasticamente.

O diagnóstico precoce, assim como a terapia adequada, pode prevenir consequências futuras maiores. O acompanhamento multidisciplinar é imprescindível e abrange profissionais de várias áreas, nomeadamente psicólogos, psiquiatras e nutricionistas.

Anorexia nervosa, bulimia nervosa e obesidade são os distúrbios alimentares mais conhecidos e frequentes, embora existam muitos outros.

Os sinais e sintomas de um distúrbio alimentar podem ser silenciosos e quase impercetíveis, daí ser fundamental para os pais estarem muito atentos perante possíveis alterações diárias de atitudes e maneiras de estar e agir do seu filho.


Alguns sinais e sintomas de um distúrbio alimentar podem ser:

  • Recusa constante em comer

Esta negação perante certos alimentos pode indiciar uma possível alteração do comportamento alimentar, podendo chegar a consequências mais graves. Observe o seu filho e repare se essas recusas são cada vez mais frequentes.

  • Preocupação/Obsessão pelo corpo e imagem corporal

Repare se o seu filho começa subtilmente a mudar a forma de vestir (optar por vestuário cada vez mais largo, por exemplo) ou se, de repente, começa a não querer olhar-se ao espelho por não gostar do que vê. É importante entender como e quando começaram estas atitudes de rejeição do próprio corpo, normalmente associadas a fatores sociais e emocionais.

  • Episódios recorrentes de compulsão alimentar

Normalmente, estas situações de voracidade alimentar são seguidas de atitudes de indução de vómito e/ou uso de fármacos, como laxantes e diuréticos, de forma a tentar “compensar” a ingestão exagerada de tantas calorias. Tenha atenção se o seu filho começa a passar muito tempo na casa de banho, fechado e imediatamente após as refeições.

  • Dores de garganta ou problemas de dentição

No caso da bulimia nervosa, é recorrente relatarem-se problemas graves do trato esofágico, devido à constante indução de vómito. Os dentes também são drasticamente afetados, devido à erosão provocada pelo suco gástrico dos vómitos.

  • Lesão da pele do dorso da mão ou calos nas mãos

A indução frequente do vómito (levar a mão à boca) provoca o aparecimento de calosidades e ulceração, o denominado “sinal de Russel”.

  • Esconder comida

Um adolescente com um distúrbio alimentar, seja ele qual for, tem a necessidade de esconder alimentos por variadas razões. No caso da anorexia nervosa, esconde alimentos e, simplesmente, nunca os ingere. Na bulimia nervosa, esses alimentos escondidos (maioritariamente hipercalóricos) são acumulados e consumidos mais tarde, de forma desmedida. Na obesidade, também é comum esconder alimentos ou mentir/omitir o que realmente se consome ao longo do dia. 


Procure ajuda. Tanto a família como a escola/amigos têm o direito de se sentirem “perdidos” quando se deparam com um distúrbio alimentar de um adolescente. O acompanhamento psicológico é fundamental, assim como a orientação alimentar.

A adoção de hábitos alimentares saudáveis por parte da família permite ao adolescente sentir-se cada vez mais integrado e apoiado. Desmistificar erros alimentares e explicar que não existem alimentos proibidos, mas sim alimentos que devemos consumir com menor regularidade do que outros, ajudará a aproximar o seu filho de uma melhoria significativa.

Opte por investir num acompanhamento multidisciplinar, em que o nutricionista será responsável por toda uma reeducação alimentar familiar. 

Fonte: portoeditora.pt