29 Dec
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Mais de metade (69%) destes produtos alimentares não cumpre todos os critérios nutricionais recomendados pela OMS. Adição de açúcares ou adoçantes/edulcorantes é um dos principais motivos do incumprimento.


A Ordem dos Nutricionistas lança um repto claro à Direção Geral da Saúde (DGS): é necessário ter uma mão forte junto indústria alimentar e pressionar a reformulação dos seus produtos. O alerta surge no seguimento de um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que afirma que mais de metade (69%) dos produtos alimentares para crianças dos 6 meses e os 3 anos não cumpre todos os critérios nutricionais recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo que a adição de açúcares ou adoçantes/edulcorantes é um dos principais motivos do incumprimento.

Para Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, saber que 31% dos produtos destinados às crianças contêm, pelo menos, uma fonte de açúcar e que 25% têm sal adicionado é preocupante, uma vez que o sal e o açúcar não devem ser consumidos durante o primeiro ano de vida.

“É exatamente nos primeiros anos de vida que as crianças adquirem hábitos. Serem expostas precocemente ao sal e ao açúcar condiciona-lhes o gosto e pode determinar o que vão preferir em idade adulta.”, explica Alexandra Bento.

Portugal acompanha as recomendações da OMS e existem protocolos estabelecidos com a indústria, havendo uma clara necessidade da reformulação de produtos alimentares, pelo que compete a DGS a “atenção redobrada à composição nutricional de produtos alimentares destinados, principalmente, a idades precoces”.  

Recorde-se que o estudo do INSA, conhecido este domingo, dia 26 de dezembro, aplicou um modelo desenvolvido pela OMS Europa a alimentos complementares destinados à faixa etária dos 6 aos 36 meses e analisou 138 alimentos rotulados como adequados para essas idades e à venda em cinco superfícies comerciais da região de Lisboa.