lado a lado


lado a lado

As mães são o nosso mundo, mas não são deste mundo. Têm poderes. As mães são mágicas. Acordam de noite, assim do nada, porque sentem que o filho as vai chamar. Antes de ouvir, já escutaram a voz do filho. O coração das mães não se engana. Aliás, não é possível enganar uma mãe a menos que ela queira. Às vezes, faz-se de desentendida, mas só porque entendeu há muito que há coisas que é preciso deixar passar, mesmo que nada lhe passe ao lado. As mães são estranhas. Às vezes, parece que têm dupla personalidade. Andam sempre a chamar a atenção dos filhos, não os deixam pôr o pé em ramo verde, e tens de fazer isto e fazer aquilo, já te disse que não, já tens idade para arrumar as tuas coisas, sou sempre eu a fazer tudo nesta casa, e vai estudar, mas derretem-se ao falar deles às outras pessoas. As mães são aquelas pessoas que põem babetes aos filhos, mas elas é que andam sempre babadas. As mães estão sempre cansadas, mas trabalham como se não estivessem. Claro que, assim, ninguém liga quando dizem que estão cansadas ou doentes, porque fazem tudo na mesma. As mães podem estar a morrer de fome, mas primeiro querem saber se o filho já comeu. As mães não se esquecem de mandar levar um casaco ou de recomendar aos filhos que se agasalhem e que não apanhem frio. As mães às vezes estão inseguras e têm vontade de chorar, mas dizem sempre que foi das cebolas ou que têm alergia e que vai correr tudo bem. As mães nascem com os filhos e vivem para eles o resto da vida. Às vezes, as mães trocam os nomes dos filhos quando chamam por eles, mas não trocam os filhos por nada nem por ninguém.

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