lado a lado


lado a lado

As mães podem ser altas ou baixas ou assim assim, podem usar o cabelo curto ou comprido, podem usar maquilhagem ou não, calças ou saias. As mães têm rostos diferentes e gostos diferentes e formas diferentes, mas o feitio é o mesmo. Passa de mães para filhas, mas estas só descobrem quando se tornam mães e dão por si a repetir as mesmas coisas que as mães lhes diziam ou faziam. Às vezes, as filhas até se estranham quando se reconhecem tão parecidas com as mães. As mães falam uma linguagem ancestral e funcional, que não se perde no tempo. Aliás, as mães não têm tempo a perder e são muito pragmáticas. As mães podem ter papa no nariz e nos olhos, mas não têm papas na língua nem deixam que lhas comam na cabeça. São a versão feminina do Padre António Vieira: exímias nos sermões. Algumas acrescentam missa cantada. Gostam da cozinha arrumada e de deixar tudo em pratos limpos. As mães dão banho aos filhos e boas ensaboadelas. As mães estão sempre a mandar arrumar o quarto porque não gostam de falar para o boneco. As mães dizem mil vezes por dia a frase Não volto a dizer isto; ouviste? As mães não gostam só de falar, também gostam muito de ouvir histórias e pedem sempre aos filhos que lhes contem aquela do tintim por tintim. As mães também sabem falar ao coração e até com o coração nas mãos. As mães têm o dom da palavra, é um facto, não conseguem calar o amor que sentem pelos filhos.

lado.a.lado