lado a lado


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Os avós nunca têm pressa, a menos que seja a de fazerem as vontades aos netos. Para os avós, os netos estão sempre muito magrinhos, mais magrinhos do que da última vez, e querem engordá-los a todo o custo. Têm a despensa cheia daquelas coisas de que os netos gostam e sabem sempre o que lhes apetece comer. Os avós são aquelas pessoas que punham os filhos de castigo quando eles se portavam mal e agora acham muita piada aos desenhos que os netos fazem nas paredes dos corredores e olham para qualquer rabisco como um sinal inequívoco de talento. Os avós são aquelas pessoas que defendem os netos dos próprios filhos dizendo «Deixa estar o menino, coitadinho, é pequenino». Têm uma voz doce e olham para os netos para olhar por eles. Os avós têm uma paciência infinita e nunca se cansam de contar a mesma história vezes sem conta sem tentar encurtá-la. Contar uma história não é só contar uma história. É disponibilidade para contar. É dizer aos netos que são importantes e que merecem o seu tempo. Os avós não apressam o amor, querem demorá-lo, e por isso repetem cada palavra como se tivessem ainda toda a vida pela frente.

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