lado a lado


lado a lado

Tem cuidado. Não venhas tarde. Leva um casaco. Não andes à chuva. Liga quando chegares, seja a que horas for. Vai devagar. Depois diz como correu. Não ligues, não dês importância. Era de prever. Deixei-te dinheiro em cima da mesa. Alimenta-te bem. Deixa cá ver. Acredita em ti. O almoço está na mesa, vem antes que arrefeça. Estuda, não deixes tudo para a última hora. Não saias com o cabelo molhado. Não te esqueças das chaves. Acredita em ti. Vai dormir. Não te preocupes, eu estou bem. É a última vez que te digo isto. Não te atrases. Parabéns. Estou orgulhosa. Adoro-te. Sim, é a língua-padrão que as mães falam. Vão aprendendo a língua enquanto são filhas e, mais tarde, quando se tornam mães, falam-na na perfeição. A par da língua materna, aprendem a língua maternal e são exímias na conjugação do amor, em todos os tempos e modos. O coração das mães é um dicionário antigo e sempre novo, em que todas as entradas têm o mesmo significado: o do amor que sentem pelos filhos. A gramática do amor das mães é simples, porque o amor não admite desvio à norma. E a regra do amor incondicional é a única regra a não conhecer exceção. 

ilustração de Carola Vergara

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